domingo, 11 de maio de 2008

NOSSAS CRÍTICAS À CHAPA 3


MENTIRA NUNCA MAIS!

1. A Chapa 3 diz que "agora é hora de mudança" (1). Como uma chapa da situação, claramente apoiada pela gestão atual da ADUNB e pelo petismo, para-petismo e governismo nos três segmentos da comunidade universitária pode mudar coisa alguma?

2. A Chapa 3 diz que reconstruirá o Conselho de Representantes (2). Por que essa reconstrução já não foi feita pela atual diretoria, apoiadora da Chapa 3, ou por outras direções do mesmo grupo político que lhe precederam na história da ADUnB?

3. Por que o poder na ADUnB é sempre excessivamente concentrado na diretoria e em seus poucos patronos de sempre?

4. A Chapa 3 defende agora a "paridade na escolha dos dirigentes" (3). Por que então seus principais apoiadores, articuladores e patronos impediram em 2005 que a ADUnB colocasse em discussão, em assembléia geral, sua participação na campanha pela Paridade? E por que voltaram a fazer o mesmo na assembléia de 17 de abril de 2008, quando a direção da ADUnB e seus principais mentores e dirigentes deixaram de colocar na pauta de discussão e votação a questão da Paridade e do Congresso Estatuinte Paritário?

5. A Chapa 3 se mostra vagamente crítica em relação às fundações e ao modelo de universidade que se construiu em torno delas. Por que motivos seus principais dirigentes, articuladores e patronos, em abril de 2004, bloquearam sumariamente a investigação que a ADUnB fazia sobre a atuação das fundações privadas na UnB? Por que abortaram, na época, a investigação e as denúncias contra as fundações, ocultando deliberadamente dos docentes da UnB, da sociedade e até mesmo de membros da diretoria da ADUnB os resultados dessa pesquisa? Por que até hoje o dossiê da ADUNB sobre as fundações privadas na UnB jamais foi divulgado? Por que a ADUnB jamais cumpriu as deliberações do ANDES-SN sobre o engajamento efetivo e eficaz na investigação e na luta contra as fundações e a corrupção que elas introduzem na universidade? Por que sua denúncia das fundações nunca saiu do teor genérico, nunca deixou de ser colocada em termos abstratos e generalizações, e desprezou os dados precisos compilados no dossiê, que ainda permanece guardado?

6. A Chapa 3 diz, pela voz de seu presidente, que é "muito perceptiva (sic) (4), mas sem ser agressiva", e que percebeu (sic) que a administração passada "tinha muitas irregularidades" (5). Por acaso a Chapa 3 considera que a ocupação da Reitoria e as ações do Ministério Público foram atos de agressividade? Por acaso a Chapa 3 desconhece o sacrossanto princípio da Desobediência Civil quando fica como último recurso para a defesa do bem comum?

7. A Chapa 3 diz que "é desestimulante perceber a insuficiência da política de proteção de nossa saúde" (6). Como será possível, para uma chapa formada por apoiadores do governo petista lutar contra a política de abandono da saúde e da educação pública, e contra as demais políticas e reformas neoliberais do governo, sobre as quais ela se omite por completo em seus textos e programas?

Cansados da demagogia, do oportunismo e do continuísmo da Chapa 3, nós, da Chapa 2, clamamos aos quatro ventos

MENTIRA NUNCA MAIS!

Vote
CHAPA 2 - ALTERNATIVA LIVRE

(1); (2); (3) e (6): em http://autonomiademocracia.blogspot.com/2008/05/adunb-30-anos-de-autonomia-e-democracia.html.

(4) e (5): em BORGES, Rodolfo, "Chapa 3 - AdUnB: autonomia e democracia", <http://www.secom.unb.br/unbagencia/unbagencia.php?id=214> Secretaria de Comunicação da UnB Agência.



sexta-feira, 9 de maio de 2008

AS REFORMAS DO GOVERNO E A EDUCAÇÃO SUPERIOR



Por Carlos Lima, Jorge Antunes, Maria Lúcia Leal e Patrícia Pinheiro

O Estado capitalista brasileiro se caracteriza, entre outras determinações, por ser organizador e produtor da exclusão social. Para financiar a reprodução das relações sociais capitalistas, utiliza de todos os instrumentos para garantir a exploração e o não acesso aos bens culturais e sociais por parte substantiva da sociedade, para que a elite continue a desfrutar da riqueza produzida pelos trabalhadores assalariados. Nesse sentido, a maioria da sociedade se encontra excluída do acesso à educação pública, gratuita e de qualidade, à saúde, à moradia, à terra e aos demais bens que formam e conformam a dignidade humana.

O primeiro mandato do Presidente FHC apresenta a questão da adequação da estrutura do Estado segundo os parâmetros neoliberais, ou seja, atendendo às exigências que os interesses do capital financeiro mundializado fazia e continua a fazer. A reforma do Estado não era apenas uma exigência das forças democráticas e populares que lutavam para adequar a estrutura do Estado ao espírito da Constituição de 88. O Estado herdado pela ditadura também não atendia aos interesses do grupo no poder. Somente com Fernando Henrique no governo é que os parasitas banqueiros vão ser efetivamente representados e passam a dominar o cenário macroeconômico.

A economia brasileira foi aberta ao capital transnacional que internacionalizou a pletora de capital-mercadoria dos países desenvolvidos sem, no entanto, internacionalizar o processo produtivo, até porque nesta fase agônica do mundo do capital, este é capitaneado pelo capital fictício. Para isso várias medidas de política econômica foram utilizadas pela equipe do então Presidente Fernando Henrique Cardoso.

A partir daí o governo vai desencadear todo um processo que envolve pelo menos três tarefas importantes. A primeira será a da “satanização” do Estado. Tudo que é estatal é ruim: o Estado é incompetente, ineficiente, corrupto. A segunda é a de colocar a idéia de nação e de soberania como algo anacrônico. Em um mundo globalizado, haveremos de nos globalizar a qualquer custo e, por fim, a terceira tarefa vai ser a da desqualificação da noção de público em conseqüência da desqualificação do papel do Estado. As críticas à ação deste justificavam sua diminuição frente aos problemas e demandas sociais.

A reforma do Estado que se inicia com FHC, sob a batuta do famigerado Bresser Pereira, está colimada pelo governo Lula, e tem, como seu pressuposto um objetivo de natureza ideológica que é o de transformar o conjunto das instituições nacionais em organizações sociais. Essa transformação (e isso nos interessa de modo particular, porque leva à discussão para o terreno da educação) incide diretamente sobre sua lógica na medida em que a natureza pública das instituições passa a ser regulada pelo privado. As instituições, dado o seu ethos, seus valores, são muito pouco permeáveis à lógica instrumental da gerência, que obedece ao cálculo racional econômico. O processo de equalizar as organizações sociais, tem por objetivo esvaziar o peso da sua estrutura e das suas finalidades. Daí ser possível deslocar a avaliação dessas instituições, do plano da legitimidade para o plano da eficácia operacional.

Outro objetivo que a reforma do Estado incorpora é o da transferência clara de todos os centros intermediários de decisão para a área de influência do grande capital. Isso implica na liquidação da res publica, em um país onde o público sempre esteve vinculado ao protagonismo do Estado. Como isso se retrata na educação brasileira? Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e outras medidas anencefálicas.

Palco de inúmeros debates e enfrentamentos, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB, Lei nº 9.394 de dezembro de 1996) integra o conjunto de reformas – econômicas, sociais e políticas – estabelecido pelo modelo neoliberal que, hegemonicamente, vem sendo implantado no Brasil desde o início dos anos 90. Essa lei deu condições ao Ministério da Educação e Cultura para a formulação e o desenvolvimento de políticas públicas para a educação de cunho fortemente homogeneizador. Entre elas, podemos citar o tripé: Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico (FUNDEB), programas de Avaliação dos Sistemas de Ensino (educação básica e ensino superior) e Formação dos Profissionais da Educação. Esse tripé se constitui na marca social do modelo regulador do Estado.

A reforma do Estado obedece à lógica da reprodução ampliada do capital na economia mundializada. O decisivo, para distinguir formas de acumulação, é perguntar quem controla o processo de acumulação[1] e a quem beneficiam as políticas postas em prática.

É inegável que Lula – 3º e 4º reinados de FHC – assumiu o poder político com o país mergulhado na grande crise que grassava na economia brasileira. O governo FHC, por meio do Plano Real, aprofundou a crise econômica. Os primeiros quatro anos de mandato tiveram como ponto fundamental a abertura das fronteiras ao capital internacional. Na verdade, essa abertura e, ao mesmo tampo, o aprofundamento da inserção da economia brasileira à economia globalizada, obedeceu à lógica inscrita na dinâmica econômica capitalista. A partir do momento em que as economias hegemônicas se encontram em crise, as economias retardatárias têm como papel basilar servir de escoadouro para a produção excedentária da economia integrada. Nesse sentido, o Plano Real teria que garantir a demanda para os bens de luxo que entraram em crise nas economias hegemônicas. Às crises de sobreprodução e insuficiência de demanda dos países cêntricos, inerentes ao processo sociometabólico capitalista, vai corresponder uma modificação qualitativa no mundo periférico, nas economias semi-integradas.

A política de Educação do governo Lula beneficia descaradamente os tubarões do ensino particular. O ingresso no ensino superior ocorre por meio da compra de vagas no ensino privado (PROUNI). Dessa forma é saciada a fome dos mercadores da educação. São gerados, assim, dois problemas: o trabalhador é incluído no ensino superior de segunda categoria e, pela mesma ação, o governo deixa de investir na melhoria da escola pública, de nível médio e fundamental como um todo, onde pouco ou quase nada é realizado. Em suma: o governo Lula presta um verdadeiro desserviço à educação e aos trabalhadores brasileiros, pois que adota critérios de inclusão estrambóticos, quando desvia dinheiro público para valorizar o capital investido nas universidades privadas sucateando, em conseqüência, as universidades públicas.

O governo do PT tem, de todas as maneiras, forjado utopias e intenções democráticas e benéficas para os trabalhadores com ações reformistas. Essas reformas do governo têm levantado, em todos os lados, uma enorme oposição política. O próprio partido do governo sofreu uma ruptura de parlamentares que se opuseram à reforma imprevidente da Previdência.

Quando assistimos o governo atual manter salários do funcionalismo público federal congelados, aumentando sobremaneira a pobreza no país, em obediência à política econômica que o Banco Mundial e a Fome e Miséria Internacional (FMI) ditam para os países “atrasados”, fica impossível entender quais são esses ideais democráticos que fazem ênfase na justiça social. Talvez seja essa a terceira via proposta pelo capital em crise: a barbárie social.

Para barrar o avanço das políticas neoliberais é absolutamente necessário que a luta não esteja circunscrita a reivindicações imediatas, mas estas devem estar ligadas à luta política de toda a classe trabalhadora por políticas públicas que venham ao encontro da classe trabalhadora.

É importante ressaltar que nenhum movimento limitado exclusivamente na mobilização de diretores e ativistas sindicais, sem um enérgico trabalho que não motive o conjunto dos trabalhadores nos seus locais de trabalho e moradia, e dos estudantes nos seus locais de estudo, pode ter sucesso na luta contra o Estado neoliberal, o governo Lula e o imperialismo.

É preciso uma direção política que capitaneie as lutas sociais em defesa dos interesses dos trabalhadores, estudantes, funcionários e professores que já foram e serão atingidos pelas próximas reformas. O desenvolvimento dessa luta contra as reformas universitária, trabalhista, sindical, tributária etc. depende, fundamentalmente , da combatividade operária que deverá levar adiante a luta pela recuperação da organização da população, como frente libertária da luta dos professores, funcionários, estudantes e trabalhadores em geral.

É preciso um diálogo permanente entre os trabalhadores e outros setores populares, esclarecendo a divisão das organizações entre os que querem defender os seus interesses contra a política predatória das instituições multilaterais (FMI, BM e OMC) e os que são meras correias de transmissão do governo do PT. Essa é a linha divisória fundamental para o próximo período no interior das organizações e das lutas contra o estado de coisas que se estabelece.


[1] CARDOSO, F. H. O modelo político brasileiro, SP, DEL, p. 15.

Uma comparação enviesada


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Após o debate, a chapa 3 fez uma estarrecedora comparação entre o depoimento, o caráter e o tipo de política da Ministra Dilma Roussef e a candidata a Presidente da ADUnB da Chapa 2, Profa. Rita Segato.
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Houve uma emocionada troca de emails que os colegas deveriam saber para deixar claro em que lado estamos todos nos posicionando. Não há comentários, apenas a leitura silenciosa para cada consciência que queira saber.
Veja aqui.

Por uma UnB sem donos

Chapa 2-Alternativa Livre vota a Chapa 1 ANDES SN

Prezados colegas docentes da UnB: hoje a chapa 2 - alternativa livre explica por que vota a chapa 1 nas eleições do ANDES-SN na luta histórica em defesa da universidade pública brasileira.

A crise de corrupção na UnB está longe de representar um caso isolado: ela é emblemática da situação crítica em que se acha a universidade pública e do caráter perverso de um modelo de universidade que abriu as portas para a corrupção ao passar a depender de fundações que se tornaram incontroláveis em sua atuação dentro do campus.

As investigações em curso no MPF revelam que chegamos a uma situação que desmoraliza a nossa universidade: um regime baseado na apropriação privada e no loteamento clientelista do espaço público, na distribuição discricionária de recursos e privilégios e na formação de balcões de negócios que operam em benefício de uns poucos. Essa situação parecia já "naturalizar-se" e "eternizar-se" em nossa universidade, até ser derrubada pela mobilização da comunidade universitária e pelo protagonismo histórico do movimento estudantil.

Por isso, prezados colegas, é importante notar que não há nada de natural ou inevitável no modelo de universidade que o legado timothista deixa para trás, nem nada que não possa e deva ser revertido pela própria comunidade universitária. A UnB já não aceita rebaixar-se à condição de um balcão de negócios espúrios ao sentido e à finalidade acadêmica. O docente já não aceita ter que rebaixar-se às degradantes condições de mercador do conhecimento ou de vassalo subalterno para poder sobreviver e dar continuidade às suas pesquisas. Contudo, numa universidade controlada por interesses privados e indulgente com a apropriação por parte de grupos que agem sem qualquer respeito ao bem público, será muito difícil proteger o professor das tramas do clientelismo. Somente uma ADUnB que tenha clareza na compreensão de como esses processos se instalaram e se reproduzem entre nós poderá blindar a nossa instituição contra a penetração e o ataque desses grupos empresariais ou partidários que vêm em nossos recursos uma oportunidade para seu benefício particular.

Sabemos que nos últimos quinze anos o arrocho salarial permanente e a insuficiência crônica do financiamento público da universidade abriram espaço para a proliferação das fundações privadas. A justificativa de sua existência era que apenas as fundações poderiam resolver o problema da captação de recursos para o custeio da pesquisa e a complementação de renda dos docentes. Criou-se assim o mito de que a universidade seria incapaz de captar e gerir de forma eficiente, democrática e transparente seus próprios recursos. Mas com o tempo, as fundações criaram problemas ainda maiores do que aqueles que pretendiam resolver e, sobretudo, carregaram mais recursos dos que aportaram. Hoje, elas existem como empresas privadas que se apropriaram da universidade pública e tornaram-na refém da lógica corrupta e corruptora dos interesses privados. Elas liquidaram sua autonomia, sua democracia e seu caráter público e social; submeteram o ethos acadêmico ao ethos mercantil, e terminaram, ao fim e ao cabo, por apropriar-se até mesmo da gestão dos recursos públicos da universidade. Por esta via, poderia tornar-se verdade o já conhecido adágio: "Ou a universidade acaba com as fundações, ou as fundações acabam com a universidade".

A luta histórica do ANDES-SN e do movimento docente em defesa da universidade pública, autônoma e democrática só poderá ser vitoriosa com a derrota e a desmoralização completa e irreversível do modelo privatizante, mercantilista e essencialmente corrupto e corruptor de universidade que foi construído e consolidado nos últimos quinze anos com o apoio ativo dos governos de plantão. A vitória que obtivemos na UnB com a derrocada da administração timothista demonstrou que é possível lutar e que é possível vencer. Mas ela demonstrou também que a última palavra ainda não foi dada e que não podemos nos deixar confundir por palavras que contradizem abertamente as práticas e os atos concretos daqueles que as pronunciam. Permaneçamos atentos e a postos para proteger a nossa universidade de quaisquer novas investidas desse modelo, venha de quem vier! Existe ainda um abismo entre a derrocada da administração timothista e o necessário desmonte do modelo global que permitiu sua instalação entre nós. Portanto, prezados colegas, nossa luta ainda não acabou.

Nós da Chapa 2 - Alternativa Livre - lutamos e lutaremos, até o final, pela derrota deste modelo. Por isso, apoiamos a Chapa 1 nas eleições do ANDES-SN e nos disponibilizamos para seguir lutando, ombro a ombro, com a futura direção do ANDES-SN, com os servidores e com o movimento estudantil autônomo e combativo no bom combate por uma universidade efetivamente pública, autônoma e democrática. Para isso, contamos com seu voto, com seu apoio e com sua participação nesta luta, que é de todos nós.

TRÊS MENOS UM É DOIS

E 2 É A DIFERENÇA!!!!!!!

Um debate histórico


Ontem, dia 8 de maio de 2008, ocorreu um debate ente as três chapas que concorrem à ADUnB, no Auditório da Faculdade de Tecnologia. Moderado pelo jornalista Beto Almeida e transmitido ao vivo pela UnB TV, o debate foi marcado pela cordialidade e defesa de idéias. Cada chapa avaliará que foi melhor, naturalmente. Assim achamos: a chapa 2 foi melhor. Mas sabemos que quem ganhou foi a UnB com a prática plena da democracia.
Conclamamos aos colegas para que não se alijam do processo de votar, um direito conquistado duramente durante o regime de exceção e que deve ser mantido para a consolidação de um sindicalismo que busque as soluções locais e nacionais para melhores condições de trabalho (lato sensu) dos docentes.

Transparência e democracia


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. O fim da ditadura militar no Brasil foi seguido de ditaduras civis que implementaram o projeto neoliberal. O sucateamento da universidade e a mercantilização do ensino foram alguns dos resultados das ações governamentais privatistas e pró-imperialistas.
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A gradual liberdade de expressão conquistada pela academia, que vinha amordaçada por muito tempo, cegou parcialmente os deslumbrados intelectuais e formadores de opinião: o direito ao voto passou a dar falsa impressão de democracia e os mecanismos de controle deram falsa transparência aos atos dos novos donos do poder.

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Foi sempre uma falácia a transparência apregoada pelas administrações da UnB. Ela, na realidade, nunca passou de mera transparência do fato consumado. Esse tipo de transparência é bem conhecido de quem já teve a oportunidade de admirar, em saguões de restaurantes ou clubes, algum belo aquário cheio de peixinhos, pedras, bolhas, tubos, plantas aquáticas, mini-tesouros e naviozinho naufragado. O aquário todo fechado, transparente, permite que nossos olhos observem o peixe grande que ataca, mata e engole um outro pequeno, as pedras mal colocadas que incomodam ou ferem guelras e a oxigenação mal feita causada pelo tubo cuja extremidade não está mais à tona. O vidro do aquário está limpo, a transparência é total, mas o observador nada pode fazer para mudar o cenário, intervir nas relações internas e no contexto do ambiente que está atrás do vidro.

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Para o Instituto de Artes foi patético o período de alguns longos anos que antecederam o agosto de 2002, quando foi inaugurado o Complexo das Artes. O shopping, como é conhecido entre estudantes, é um prédio de precaríssimo conforto ambiental: um estudante de Artes Cênicas que ensaia uma fala em uma extremidade do prédio é ouvido por outro que tenta se concentrar numa leitura na outra extremidade a mais de 40 metros de distância.

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O final do século XX foi dramático para as direções do Instituto de Artes que, para construirem o novo prédio, viviam tentando passar o chapéu, mendigando doações com o aval da Lei do Mecenato. Apelava-se até mesmo para doações dos próprios professores. Acreditava-se que os pobres coitados teriam imposto a pagar quando, na verdade, todos aguardavam salvadoras restituições. Banqueiros, enfim, financiaram, não sem contrapartida imobiliária, a construção do shopping. O Banco Real entrou no câmpus. Um convênio determinou que a UnB cederia uma área para o Banco Real construir seu posto e utilizá-lo durante cerca de vinte anos: a construção ficará para a UnB a partir de 2025.

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O Departamento de Música reivindica seu prédio novo há mais de 19 anos. A planta da nova construção andou alimentando esperanças de mestres e maestros que não viram o sonho realizado. No papel heliográfico alguns colegas, hoje aposentados ou defuntos, já haviam escolhido suas salas. Motivos misteriosos e desconhecidos fizeram com que o autor da planta original a levasse para sua casa, desautorizando seu uso. Para consagrar o surrealismo, a administração não mais se interessou em buscar novo arquiteto para um novo projeto.

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O Centro Comunitário Athos Bulcão, que poderia ser chamado de Circo da UnB, é a demonstração inconteste da precariedade da universidade pública brasileira. O mestre dos azulejos e murais merecia dar nome a espaço mais nobre. No Circo da UnB se escancaram as boas intenções que, no desespero da falta de recursos, rumam para o provisório, o anti-ecológico, a falta de ventilação, a acústica ambiente absurda que, com tempo de reverberação da ordem de 10 segundos, não permite qualquer comunicação artística ou verbal em condições inteligíveis e dignas.

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Nessa conjuntura nada propícia para as artes, a reitoria, que graças à execrável figura da reeleição passou a ser a mesma que tínhamos no final do século XX, fez com que a transparência do fato consumado desfilasse aos nossos olhos. Os boletins e periódicos publicados pela reitoria nos mostravam como os recursos próprios da UnB, sempre escassos para certas áreas do saber, haviam sido aplicados.

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Entre os projetos concluídos, encontramos alguns importantes na área de Odontologia e Farmácia. Vimos contemplados algum laboratório, construídos alguns sanitários, estacionamentos e calçadas. Promessas eram alardeadas para a Geociências, a Física, a Engenharia Mecânica e a Informação. De resto, investimentos se voltavam a garagens, elevadores e prédio novo para o Cespe. Outro para a Fubra. Esteve em andamento, inclusive, a construção de prédio novo para uma Fundação de Apoio.

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Outros projetos importantes teimaram sempre em ficar engavetados, não se sabe com que critérios. É perda de tempo fazer com que nossas preocupações se voltem para o cronograma de construções cujos projetos não foram transparentemente discutidos por toda a comunidade. Uma descarada política de balcão fez com que projetos saíssem do papel através de uma relação biunívoca e exclusiva entre a administração e a parte interessada. As partes desinteressadas nunca foram ouvidas.
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Aqui entramos na abordagem do tema "democracia". Muitos acham que a Universidade de Brasília chegou a viver uma plena experiência democrática. Numa medrosa e hipócrita avaliação, existe gente que em suas críticas pulam do Azevedismo ao Lauro-Thimotismo, tentando insinuar que de Cristóvam a Todorov houve democracia e lisura. Na verdade, a ilusão e a farsa democráticas foram vividas justamente no tempo em que ainda não existia Ministério Público.
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Ah, se houvesse!
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Acham que democracia se resume em liberdade de pensamento e liberdade de expressão. É totalmente equivocada essa convicção. A plena democracia só se fará presente entre nós quando os órgãos colegiados tiverem reais poderes decisórios. A plena democracia estará vigorando somente quando todos os órgãos colegiados contarem com a participação efetiva e representativa dos três segmentos: docente, discente e técnico-administrativo. A plena democracia se implantará somente quando o Conselho Universitário se reunir periodicamente, com pautas em que predominem assuntos relevantes e não as concessões de títulos honoríficos.
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A plena democracia será realidade apenas quando todos os órgãos colegiados, escolhidos e integrados de modo igualitário pelos três estratos da comunidade universitária, se reunirem periodicamente, contando com o respeito às suas decisões por parte da administração superior.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Dois é a diferença: Chapa 2


TRÊS MENOS UM É DOIS

E 2 É, PORTANTO, A DIFERENÇA!!!!!!