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sexta-feira, 9 de maio de 2008

AS REFORMAS DO GOVERNO E A EDUCAÇÃO SUPERIOR



Por Carlos Lima, Jorge Antunes, Maria Lúcia Leal e Patrícia Pinheiro

O Estado capitalista brasileiro se caracteriza, entre outras determinações, por ser organizador e produtor da exclusão social. Para financiar a reprodução das relações sociais capitalistas, utiliza de todos os instrumentos para garantir a exploração e o não acesso aos bens culturais e sociais por parte substantiva da sociedade, para que a elite continue a desfrutar da riqueza produzida pelos trabalhadores assalariados. Nesse sentido, a maioria da sociedade se encontra excluída do acesso à educação pública, gratuita e de qualidade, à saúde, à moradia, à terra e aos demais bens que formam e conformam a dignidade humana.

O primeiro mandato do Presidente FHC apresenta a questão da adequação da estrutura do Estado segundo os parâmetros neoliberais, ou seja, atendendo às exigências que os interesses do capital financeiro mundializado fazia e continua a fazer. A reforma do Estado não era apenas uma exigência das forças democráticas e populares que lutavam para adequar a estrutura do Estado ao espírito da Constituição de 88. O Estado herdado pela ditadura também não atendia aos interesses do grupo no poder. Somente com Fernando Henrique no governo é que os parasitas banqueiros vão ser efetivamente representados e passam a dominar o cenário macroeconômico.

A economia brasileira foi aberta ao capital transnacional que internacionalizou a pletora de capital-mercadoria dos países desenvolvidos sem, no entanto, internacionalizar o processo produtivo, até porque nesta fase agônica do mundo do capital, este é capitaneado pelo capital fictício. Para isso várias medidas de política econômica foram utilizadas pela equipe do então Presidente Fernando Henrique Cardoso.

A partir daí o governo vai desencadear todo um processo que envolve pelo menos três tarefas importantes. A primeira será a da “satanização” do Estado. Tudo que é estatal é ruim: o Estado é incompetente, ineficiente, corrupto. A segunda é a de colocar a idéia de nação e de soberania como algo anacrônico. Em um mundo globalizado, haveremos de nos globalizar a qualquer custo e, por fim, a terceira tarefa vai ser a da desqualificação da noção de público em conseqüência da desqualificação do papel do Estado. As críticas à ação deste justificavam sua diminuição frente aos problemas e demandas sociais.

A reforma do Estado que se inicia com FHC, sob a batuta do famigerado Bresser Pereira, está colimada pelo governo Lula, e tem, como seu pressuposto um objetivo de natureza ideológica que é o de transformar o conjunto das instituições nacionais em organizações sociais. Essa transformação (e isso nos interessa de modo particular, porque leva à discussão para o terreno da educação) incide diretamente sobre sua lógica na medida em que a natureza pública das instituições passa a ser regulada pelo privado. As instituições, dado o seu ethos, seus valores, são muito pouco permeáveis à lógica instrumental da gerência, que obedece ao cálculo racional econômico. O processo de equalizar as organizações sociais, tem por objetivo esvaziar o peso da sua estrutura e das suas finalidades. Daí ser possível deslocar a avaliação dessas instituições, do plano da legitimidade para o plano da eficácia operacional.

Outro objetivo que a reforma do Estado incorpora é o da transferência clara de todos os centros intermediários de decisão para a área de influência do grande capital. Isso implica na liquidação da res publica, em um país onde o público sempre esteve vinculado ao protagonismo do Estado. Como isso se retrata na educação brasileira? Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e outras medidas anencefálicas.

Palco de inúmeros debates e enfrentamentos, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB, Lei nº 9.394 de dezembro de 1996) integra o conjunto de reformas – econômicas, sociais e políticas – estabelecido pelo modelo neoliberal que, hegemonicamente, vem sendo implantado no Brasil desde o início dos anos 90. Essa lei deu condições ao Ministério da Educação e Cultura para a formulação e o desenvolvimento de políticas públicas para a educação de cunho fortemente homogeneizador. Entre elas, podemos citar o tripé: Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico (FUNDEB), programas de Avaliação dos Sistemas de Ensino (educação básica e ensino superior) e Formação dos Profissionais da Educação. Esse tripé se constitui na marca social do modelo regulador do Estado.

A reforma do Estado obedece à lógica da reprodução ampliada do capital na economia mundializada. O decisivo, para distinguir formas de acumulação, é perguntar quem controla o processo de acumulação[1] e a quem beneficiam as políticas postas em prática.

É inegável que Lula – 3º e 4º reinados de FHC – assumiu o poder político com o país mergulhado na grande crise que grassava na economia brasileira. O governo FHC, por meio do Plano Real, aprofundou a crise econômica. Os primeiros quatro anos de mandato tiveram como ponto fundamental a abertura das fronteiras ao capital internacional. Na verdade, essa abertura e, ao mesmo tampo, o aprofundamento da inserção da economia brasileira à economia globalizada, obedeceu à lógica inscrita na dinâmica econômica capitalista. A partir do momento em que as economias hegemônicas se encontram em crise, as economias retardatárias têm como papel basilar servir de escoadouro para a produção excedentária da economia integrada. Nesse sentido, o Plano Real teria que garantir a demanda para os bens de luxo que entraram em crise nas economias hegemônicas. Às crises de sobreprodução e insuficiência de demanda dos países cêntricos, inerentes ao processo sociometabólico capitalista, vai corresponder uma modificação qualitativa no mundo periférico, nas economias semi-integradas.

A política de Educação do governo Lula beneficia descaradamente os tubarões do ensino particular. O ingresso no ensino superior ocorre por meio da compra de vagas no ensino privado (PROUNI). Dessa forma é saciada a fome dos mercadores da educação. São gerados, assim, dois problemas: o trabalhador é incluído no ensino superior de segunda categoria e, pela mesma ação, o governo deixa de investir na melhoria da escola pública, de nível médio e fundamental como um todo, onde pouco ou quase nada é realizado. Em suma: o governo Lula presta um verdadeiro desserviço à educação e aos trabalhadores brasileiros, pois que adota critérios de inclusão estrambóticos, quando desvia dinheiro público para valorizar o capital investido nas universidades privadas sucateando, em conseqüência, as universidades públicas.

O governo do PT tem, de todas as maneiras, forjado utopias e intenções democráticas e benéficas para os trabalhadores com ações reformistas. Essas reformas do governo têm levantado, em todos os lados, uma enorme oposição política. O próprio partido do governo sofreu uma ruptura de parlamentares que se opuseram à reforma imprevidente da Previdência.

Quando assistimos o governo atual manter salários do funcionalismo público federal congelados, aumentando sobremaneira a pobreza no país, em obediência à política econômica que o Banco Mundial e a Fome e Miséria Internacional (FMI) ditam para os países “atrasados”, fica impossível entender quais são esses ideais democráticos que fazem ênfase na justiça social. Talvez seja essa a terceira via proposta pelo capital em crise: a barbárie social.

Para barrar o avanço das políticas neoliberais é absolutamente necessário que a luta não esteja circunscrita a reivindicações imediatas, mas estas devem estar ligadas à luta política de toda a classe trabalhadora por políticas públicas que venham ao encontro da classe trabalhadora.

É importante ressaltar que nenhum movimento limitado exclusivamente na mobilização de diretores e ativistas sindicais, sem um enérgico trabalho que não motive o conjunto dos trabalhadores nos seus locais de trabalho e moradia, e dos estudantes nos seus locais de estudo, pode ter sucesso na luta contra o Estado neoliberal, o governo Lula e o imperialismo.

É preciso uma direção política que capitaneie as lutas sociais em defesa dos interesses dos trabalhadores, estudantes, funcionários e professores que já foram e serão atingidos pelas próximas reformas. O desenvolvimento dessa luta contra as reformas universitária, trabalhista, sindical, tributária etc. depende, fundamentalmente , da combatividade operária que deverá levar adiante a luta pela recuperação da organização da população, como frente libertária da luta dos professores, funcionários, estudantes e trabalhadores em geral.

É preciso um diálogo permanente entre os trabalhadores e outros setores populares, esclarecendo a divisão das organizações entre os que querem defender os seus interesses contra a política predatória das instituições multilaterais (FMI, BM e OMC) e os que são meras correias de transmissão do governo do PT. Essa é a linha divisória fundamental para o próximo período no interior das organizações e das lutas contra o estado de coisas que se estabelece.


[1] CARDOSO, F. H. O modelo político brasileiro, SP, DEL, p. 15.

Por uma UnB sem donos

Chapa 2-Alternativa Livre vota a Chapa 1 ANDES SN

Prezados colegas docentes da UnB: hoje a chapa 2 - alternativa livre explica por que vota a chapa 1 nas eleições do ANDES-SN na luta histórica em defesa da universidade pública brasileira.

A crise de corrupção na UnB está longe de representar um caso isolado: ela é emblemática da situação crítica em que se acha a universidade pública e do caráter perverso de um modelo de universidade que abriu as portas para a corrupção ao passar a depender de fundações que se tornaram incontroláveis em sua atuação dentro do campus.

As investigações em curso no MPF revelam que chegamos a uma situação que desmoraliza a nossa universidade: um regime baseado na apropriação privada e no loteamento clientelista do espaço público, na distribuição discricionária de recursos e privilégios e na formação de balcões de negócios que operam em benefício de uns poucos. Essa situação parecia já "naturalizar-se" e "eternizar-se" em nossa universidade, até ser derrubada pela mobilização da comunidade universitária e pelo protagonismo histórico do movimento estudantil.

Por isso, prezados colegas, é importante notar que não há nada de natural ou inevitável no modelo de universidade que o legado timothista deixa para trás, nem nada que não possa e deva ser revertido pela própria comunidade universitária. A UnB já não aceita rebaixar-se à condição de um balcão de negócios espúrios ao sentido e à finalidade acadêmica. O docente já não aceita ter que rebaixar-se às degradantes condições de mercador do conhecimento ou de vassalo subalterno para poder sobreviver e dar continuidade às suas pesquisas. Contudo, numa universidade controlada por interesses privados e indulgente com a apropriação por parte de grupos que agem sem qualquer respeito ao bem público, será muito difícil proteger o professor das tramas do clientelismo. Somente uma ADUnB que tenha clareza na compreensão de como esses processos se instalaram e se reproduzem entre nós poderá blindar a nossa instituição contra a penetração e o ataque desses grupos empresariais ou partidários que vêm em nossos recursos uma oportunidade para seu benefício particular.

Sabemos que nos últimos quinze anos o arrocho salarial permanente e a insuficiência crônica do financiamento público da universidade abriram espaço para a proliferação das fundações privadas. A justificativa de sua existência era que apenas as fundações poderiam resolver o problema da captação de recursos para o custeio da pesquisa e a complementação de renda dos docentes. Criou-se assim o mito de que a universidade seria incapaz de captar e gerir de forma eficiente, democrática e transparente seus próprios recursos. Mas com o tempo, as fundações criaram problemas ainda maiores do que aqueles que pretendiam resolver e, sobretudo, carregaram mais recursos dos que aportaram. Hoje, elas existem como empresas privadas que se apropriaram da universidade pública e tornaram-na refém da lógica corrupta e corruptora dos interesses privados. Elas liquidaram sua autonomia, sua democracia e seu caráter público e social; submeteram o ethos acadêmico ao ethos mercantil, e terminaram, ao fim e ao cabo, por apropriar-se até mesmo da gestão dos recursos públicos da universidade. Por esta via, poderia tornar-se verdade o já conhecido adágio: "Ou a universidade acaba com as fundações, ou as fundações acabam com a universidade".

A luta histórica do ANDES-SN e do movimento docente em defesa da universidade pública, autônoma e democrática só poderá ser vitoriosa com a derrota e a desmoralização completa e irreversível do modelo privatizante, mercantilista e essencialmente corrupto e corruptor de universidade que foi construído e consolidado nos últimos quinze anos com o apoio ativo dos governos de plantão. A vitória que obtivemos na UnB com a derrocada da administração timothista demonstrou que é possível lutar e que é possível vencer. Mas ela demonstrou também que a última palavra ainda não foi dada e que não podemos nos deixar confundir por palavras que contradizem abertamente as práticas e os atos concretos daqueles que as pronunciam. Permaneçamos atentos e a postos para proteger a nossa universidade de quaisquer novas investidas desse modelo, venha de quem vier! Existe ainda um abismo entre a derrocada da administração timothista e o necessário desmonte do modelo global que permitiu sua instalação entre nós. Portanto, prezados colegas, nossa luta ainda não acabou.

Nós da Chapa 2 - Alternativa Livre - lutamos e lutaremos, até o final, pela derrota deste modelo. Por isso, apoiamos a Chapa 1 nas eleições do ANDES-SN e nos disponibilizamos para seguir lutando, ombro a ombro, com a futura direção do ANDES-SN, com os servidores e com o movimento estudantil autônomo e combativo no bom combate por uma universidade efetivamente pública, autônoma e democrática. Para isso, contamos com seu voto, com seu apoio e com sua participação nesta luta, que é de todos nós.

TRÊS MENOS UM É DOIS

E 2 É A DIFERENÇA!!!!!!!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Por uma UnB sem donos


Por uma UnB sem donos
Chapa 2. Alternativa Livre
Prezados colegas docentes da UnB: hoje a chapa 2 explica por que um dos nossos grandes temas é "por uma UnB sem donos". Falamos aqui das razões que nos levam a sentir com tanta força o tema da apropriação do nosso campus e seus recursos por grupos de interesse que estão longe de ser representativos do professor - cidadão que se dedica integralmente a pesquisar, publicar e ensinar.
Durante os dez anos do período hoje conhecido como a "dinastia Todorov" e que culminou com o timothismo, o nosso campus se tornou vulnerável a vários tipos de "loteamento" e apropriações, ao ponto que são poucos os espaços e estruturas dentro dele que ficaram livres de um controle discricionário por parte de grupos que percebem a coisa pública como uma extensão da sua propriedade particular. Esse loteamento assume diversas formas: ele é propriamente imobiliário, na alocação do campus a fundações que atuam dentro dele com interesse prioritariamente empresarial; acadêmico-departamental, que subdivide áreas de saber e as controla ferreamente em nome de um franco "fundamentalismo" disciplinar; político, que abre as portas do campus para a intervenção do governo federal ou transforma o campus em curral eleitoral para candidaturas; ou sindical, de grupos instalados historicamente na própria ADUNB e cuja máquina controlam. É nesse sentimento e nessa sensibilidade ao controle de grupos consolidados e constituídos cujas lealdades primeiras são com eles próprios e não com a comunidade universitária que nossa chapa se distingue das chapas 1 (herdeira da dinastia Todorov) e 3 (herdeira da máquina da nossa Associação). A nossa lealdade é uma só: a nossa coletividade. E o nosso propósito é um só: contribuir com a reconstituição de um coletivo fragilizado e esfacelado ao longo desse processo de loteamento. Para isso, a nossa chapa apela ao professor de consciência autônoma, de vontade livre da servidão a grupos de interesse particulares: o professor que pensa numa UnB de todos nós.

Quando afirmamos que queremos uma universidade sem donos afirmamos que nossa universidade deve ser preservada contra o retalhamento e a apropriação arbitrária dos seus recursos, espaços, estruturas e máquinas administrativas: somos contrários aos grupos que agem se beneficiando discricionariamente com fundos que são de todos; somos contrários ao aparelhamento da nossa universidade por grupos de interesse político partidário que tentam transformá-la em curral eleitoral; somos contrários às ações - entre - amigos que já se fizeram hábito entre nós. Preservemos o nosso campus para a nossa comunidade e cuidemos para que o professor conte com a redistribuição justa e o acesso eqüitativo e racional a todos os recursos que circulam por nossa universidade.

POR UMA UNB SEM DONOS, DE TODOS E PARA TODOS NÓS!!!!